terça-feira, 31 de agosto de 2010
Sussurros
Era mesmo assustador ouvir todas essas respirações ofegantes, ansiosas a minha volta. De longe um breve cochicho acompanhado de olhares julgadores. É estranho fazer isso, ouvir o silêncio.
Porque quando se ouve o silêncio ele não se contenta só em ser ouvido. É preciso tocá-lo, senti-lo... É preciso deixá-lo entrar para que ele permita sua entrada nele.
E o silêncio é escuro, é o negro. Ele absorve tudo. E como eu me sentia sugada constantemente naquele lugar!
E como eu queria estar sozinha. Sempre fui arrogante demais para longas convivências, amarga demais para fazer alguém feliz. Sempre fui calada demais ao falar a verdade. E a falta de compreensão alheia perante meu silêncio me torna vazia. E como eu odiava ser vazia!
Ele jamais me entenderia... Ele jamais entenderia essa minha ausência de voz, mas eu sei que ele sabe. Fingimos que não. Finjo ter muito a falar, enquanto o que eu queria mesmo que fosse dito está entalado há tempos.
"Ouve-me, ouve o meu silêncio. O que falo nunca é o que falo e sim outra coisa. Capta essa outra coisa de que na verdade falo porque eu mesma não posso." Clarice Lispector
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